• Cecilia Gomes

E se a tecnologia faltar?


Billions, S4Ep4, Overton Window

“Mas nunca fiz operações por telefone.”


Escutei essa frase durante o último episódio da série Billions lançado esta semana. #spoileralert


Axl recebe uma dica de que um grande acidente irá derrubar as ações de empresas de um setor inteiro. Ele tem o período de 1 pregão para se desfazer do máximo de ações possível e assim diminuir seu prejuízo. Tudo isso com todo sistema de telecomunicações da Axl Capital sabotado e eles precisando trabalhar com caderno de telefone, celulares antigos que não tenham sido contaminados junto com a rede e, principalmente, muito papo para conseguir quem aceitasse fazer as operações.


Eis que questionados por estarem todos olhando sem fazer nada, um dos funcionários responde: “Eu queria ajudar, mas nunca fiz operações por telefone.”


Meu Deus!!!! Que habilidades estamos perdendo por conta da tecnologia?


Não falo de saber de cabeça o telefone das pessoas. Acho que esse é um ótimo uso para a tecnologia: armazenar informações que só ocupam espaço. Sempre soube o telefone de muitos amigos. Hoje não sei de quase mais ninguém. É só procurar o nome e apertar o botão que a ligação completa.


Falo sobre a habilidade de se conectar, conversar, negociar, ouvir a outra pessoa, e, no caso do episódio, desenvolver relações pessoais que permitisse pedir favores. Como eles dizem no episódio, ser “old school”.


Entendo a necessidade de escalar certas operações e dificilmente alguma coisa escala sem perda de contato humano. Mas estamos em momento crítico em que cada vez mais pessoas da geração que cresceu com um smartphone na mão está substituindo pessoas de gerações anteriores no mercado de trabalho.


Os pertencentes às gerações que nasceram até a o fim da década de 70 iniciaram sua vida profissional ainda com papel, caneta e telefone de mesa. Para nós, ainda há o registro de uma outra vida menos cheia de ferramentas escaláveis e temos mais chance de nos virar em tempos bicudos. E principalmente, temos uma referência do que foi, tanto para sentir alívio do que era um sacrifício quanto para sentir saudades do que já passou.


Mas e quem nasceu depois? Aqueles que estão entrando no mercado de trabalho e que só conhecem a vida com uma tela de computador para cada um, internet na velocidade da luz e janelas de chat?


É com as gerações sem essa referência “old school” que eu me preocupo. Que seres são esses que estão assumindo papeis cada vez mais relevantes no mercado de trabalho e na sociedade?


Sou super tecnológica. Nunca tive problema com isso. Mas sinto falta de ouvir mais a voz das pessoas e escutar o sorriso delas. Nesse sentido, definitivamente sou old school.

Torço para que no final a conta feche como fechou para tantas outras mudanças anteriores. Mas essa situação me chamou a atenção pois afeta diretamente uma geração que está no início de carreira e que realmente pode ser afetada por processos mais rigorosos transformação digital e uso de AI.


Será que estamos realmente preparando nossos filhos realmente com a melhor educação que eles podem ter?

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