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  • Cecilia Gomes

Espelho, espelho meu, que persona sou eu?

Uma coisa é certa: muitas empresas no Brasil não estão conseguindo acompanhar a evolução do marketing. Sim, estou falando dos 4Ps, que viraram 7 e que já se fala de 10. Quanto dinheiro desperdiçado … E você, caro leitor, que só queria ser visto como a persona que é, ser compreendido, bem atendido e receber o que pagou, tudo dentro do maior bom senso, fica assim, se contorcendo com as situações que vai vivendo.


Cena 1


Em 2010, a Knorr usou Alex Atala como protagonista de um filme que o mostrava cozinhando em sua casa e usando um novo caldo Knorr. Segundo ele, o caldo seria natural e igual ao feito em casa. Todo mundo sabe que caldo em tablete é tudo menos natural e que tem um monte de conservantes, sódio etc. A Knorr querer passar o produto dela como natural igual ao feito em casa, já é uma forçação de barra enorme. Agora, usar um chef de cozinha para associá-lo à alta gastronomia, já vai longe demais.


Cena de “Knorr — Exigente (Alex Atala)”

Na época, o que mais me perguntava era: quem era essa persona que usa o caldo, conhece o Alex Atala e compra essa história toda? Foi bem difícil superar esse momento. Acabei implicando com os dois de vez, ele e a Knorr.


Cena 2


Fazendo a conta rapidamente: 10 x R$ 36,00 / 24 edições = R$ 15,00 por edição. Estranho, o mesmo preço da banca de jornal. Não deveria ter um desconto? Ah, mas eles estão me oferecendo um incrível kit “Sonho Oriental Caras”.



Será que um possível assinante de uma revista chamada Vida Simples, que prega o não consumo, a vida com propósito, os 5 Rs (repense, reduza, reutilize, recupere e recicle), a importância de apoiar o comércio local etc, vai achar que o kit “Sonho Oriental Caras” é a cereja do bolo? Bom, para mim funcionou ao contrário. Continuo comprando na banca. E lá se vai mais uma persona para o brejo.


Ó dor, ó vida… O que fazer com tamanho descaso pela nossa persona?


Tenho ótimas notícias. Se antes nossa voz só era ouvida apenas por quem estava juntinho, agora podemos gritar mais longe. Agora temos as redes sociais para comentar com os quatros cantos do universo sobre essas esquisitices, que vamos encontrando pelo caminho.


Você comenta, alguém lê, dá um like aqui, um emoticon ali e a voz vai ficando mais grossa.

Dizem que as marcas estão de olho e acompanhando o que o consumidor está dizendo. Ainda acho que tem muita marca que perdeu esse barco e não se engaja na conversa. Bom, pior para elas, porque tem outras tantas que estão se engajando e muito. E como dizia o Chacrinha, “quem não se comunica, se trumbica”.

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